Alimentação do CachorroFoto de Tiago ConiuttiPor |Publicado em |7 min de leitura
Filhote comendo comida saudável com variedade de ingredientes

Descobrir o que o cachorro pode comer além da ração ajuda na hora do petisco e evita sustos com alimentos que parecem inofensivos, mas são perigosos. A resposta rápida: frutas como maçã sem semente, banana e melancia sem casca são liberadas com moderação, enquanto chocolate, uva, cebola e alho são proibidos. Abaixo você encontra as duas listas separadas, a dos alimentos seguros e a dos que nunca devem chegar ao pote, para decidir com confiança.

Antes das listas, uma regra vale para tudo: petisco é complemento, não refeição. A base da alimentação do cão continua sendo a ração de qualidade. Alimentos extras não devem passar de cerca de 10% do que ele come no dia, para não desequilibrar a nutrição nem causar ganho de peso.

Alimentos que o cachorro pode comer

Vários alimentos naturais são seguros e até saudáveis em pequenas porções. Entre as frutas liberadas estão a maçã sem sementes, a banana, a melancia sem casca e sem semente, o mamão e o morango. Elas oferecem fibras e vitaminas, mas têm açúcar, então a palavra de ordem é moderação.

Entre os vegetais, cenoura, abobrinha, batata-doce cozida e vagem funcionam bem, inclusive a cenoura crua como petisco que ajuda a limpar os dentes. Proteínas magras também entram na lista: frango cozido sem tempero, sem osso e sem pele, e ovos cozidos são ótimas opções. O arroz branco cozido costuma ser indicado quando o cão está com o estômago sensível.

Repare no padrão: tudo cozido de forma simples, sem sal, sem tempero, sem cebola e sem alho. É essa preparação sem adição que torna o alimento seguro.

Alimentos proibidos e tóxicos para cães

Alguns alimentos comuns na nossa cozinha são realmente perigosos para o cão, e a lista mantida por organizações de proteção animal, como a ASPCA, é bem clara sobre isso. O chocolate contém teobromina, tóxica para cães, e quanto mais amargo, mais perigoso. Uva e uva-passa podem causar insuficiência renal, mesmo em pequena quantidade. Cebola e alho, crus ou cozidos, danificam as células do sangue do cão.

Alimentos tóxicos para cães destacados em mesa educativa

Complete a lista negra com xilitol (adoçante presente em doces e chicletes sem açúcar, extremamente tóxico), abacate, álcool, café e alimentos muito gordurosos ou salgados. Um cuidado extra vale para os ossos cozidos: eles lascam e podem perfurar o intestino, ao contrário do que muita gente pensa.

Se o seu cão comer qualquer item dessa lista, não espere os sintomas aparecerem. Ligue para um veterinário ou para um serviço de emergência veterinária na hora, informando o que e quanto ele comeu. Rapidez faz toda a diferença nesses casos. Vale saber de antemão quanto custa uma emergência veterinária, para decidir rápido.

AlimentoPode?Como oferecer ou por que evitar
MaçãSimsem as sementes, em pedaços
BananaSimem pouca quantidade
MelanciaSimsem sementes e sem casca
CenouraSimcrua ou cozida, ajuda a limpar os dentes
Batata-doce, abobrinha e vagemSimcozidas, sem sal e sem tempero
Uva e uva-passaNãopodem causar insuficiência renal
Chocolate e caféNãotêm compostos que o cão não elimina bem
Cebola e alhoNãodanificam as células do sangue
Xilitol (adoçante)Nãoextremamente tóxico, mesmo em pouca quantidade
Osso cozidoNãolasca e machuca
O que o cachorro pode comer e o que é proibido, em resumo

Como oferecer alimentos com segurança

Decidiu incluir um petisco natural? Comece com uma porção pequena e observe o cão nas horas seguintes. Cada animal reage de um jeito, e um alimento seguro para a maioria pode não cair bem para o seu. Introduza um alimento novo por vez, assim, se houver reação, você sabe qual foi o culpado.

Corte tudo em pedaços adequados ao porte do cão, para evitar engasgo, principalmente em raças pequenas. E lembre que filhotes, cães idosos ou com alguma condição de saúde têm necessidades específicas. Nesses casos, vale confirmar com o veterinário antes de mudar qualquer coisa no cardápio. Para filhotes, a lista é mais restrita e está em o que filhote de cachorro pode comer.

A dúvida por trás da dúvida

Muita gente que pesquisa o que o cachorro pode comer está, no fundo, tentando agradar o cão com comida. Existe um jeito melhor: variar os petiscos seguros, usar pedacinhos de cenoura ou frango no adestramento e reservar as guloseimas para momentos especiais. Assim você recompensa sem exagerar e mantém o cão magro, ativo e longe da mesa na hora do almoço.

Outros alimentos que geram dúvida

Alguns itens ficam numa zona cinzenta e merecem explicação. O iogurte natural sem açúcar pode ser oferecido em pouca quantidade, e muitos cães lidam bem com ele, mas cães intolerantes à lactose passam mal. A pipoca só é aceitável se for natural, sem sal e sem manteiga, e sem os caroços que não estouraram. A aveia cozida e a abóbora cozida são boas fontes de fibra. Já o leite comum costuma cair mal em cães adultos e é melhor evitar.

Alimentos tóxicos para cães destacados em mesa educativa

Perceba que a resposta quase nunca é um sim ou não seco. Depende da quantidade, do preparo e do próprio cão. Por isso a introdução gradual, um alimento por vez, é tão importante.

Qual a porção certa de petisco

A regra dos 10% é o guia mais simples. Some tudo que o cão come além da ração no dia, e isso não deve passar de um décimo das calorias diárias dele. Para um cão pequeno, isso significa pouquíssimos pedacinhos. Petisco em excesso, mesmo saudável, engorda e tira o apetite pela ração, que é a base nutricional. Cão acima do peso vive menos e tem mais problemas de articulação, então a moderação é um ato de cuidado, não de rigidez.

Mitos comuns sobre a comida do cachorro

Vale desfazer algumas crenças que circulam por aí. A ideia de que osso faz bem é perigosa: osso cozido lasca e machuca. Outro mito é que o cão é carnívoro puro e só deveria comer carne, quando na verdade ele é onívoro e se beneficia de vegetais e grãos. Também não é verdade que comida caseira é sempre melhor que ração, uma dieta caseira mal balanceada pode faltar nutrientes essenciais. Se quiser seguir por esse caminho, o ideal é montar o cardápio com um veterinário nutricionista.

E os petiscos e ossos industrializados?

Os petiscos vendidos em pet shop podem entrar na rotina, desde que sejam próprios para cães e usados com moderação, dentro da mesma regra dos 10%. Prefira os de composição simples e evite os cheios de corantes e açúcar. Já os ossos e mordedores merecem atenção: os naturais defumados podem lascar, enquanto os feitos de nylon ou borracha resistente costumam ser mais seguros e ainda ajudam a limpar os dentes. Ofereça sempre sob supervisão e troque o mordedor assim que ele começar a se despedaçar, para evitar que o cão engula pedaços.

Na dúvida sobre um alimento que não está em nenhuma das listas, a atitude mais segura é simples: não ofereça e pergunte ao veterinário. É mais fácil evitar do que remediar, e o seu cão não vai sentir falta de algo que ele nem sabe que existe.

Para completar a alimentação, veja como escolher a melhor ração e como preparar comida caseira com segurança.

Para completar a alimentação do seu cão, veja também quantas vezes por dia alimentar o cão.